Delírios da Meia Noite

Hoje enquanto eu estava no banho (é o lugar onde tenho os melhores debates comigo mesma, e de onde tiro minhas maiores conclusões sobre a vida), e lembrei de quando eu era criança, vocês acreditam que por uns 5 anos da minha vida eu usava casaco ou blusa de manga cumprida mesmo no verão?

Pois é! Eu sempre achei meus braços esquisitos, muito finos, muito longos, mas até aí tudo bem, até que um dia, na aula de inglês, um menino chamado Apollo (eu tinha nove anos, ele devia ter menos então não julguem o Apollo), que estava sentado na carteira do lado da minha, acidentalmente encostou no meu braço, olhou pra baixo e falou “eca, o que são essas manchinhas?” e puxou o braço dele com tudo pra longe do meu.

Eu sabia que tinha manchinhas, algumas estavam ali desde que eu me conheço por gente, outras, eram marquinhas de picadas de mosquito. E outras são marquinhas de nascença. O Apollo era branquinho, eu, sou uma mistura, eu sei que um lado da família veio da Itália, no lado da minha mãe, a família do meu avô era Espanhola e a da minha avó era indígena + alguma outra região europeia.

E aquela não foi a primeira vez que eu tive vergonha de mim, do meu corpo, ou da minha pele, mas foi a primeira vez que uma pessoa de fora expressou completo nojo por ela, e aquilo me marcou.

Então por anos depois desse episódio, eu usava casaco no frio, no calor, na piscina e na praia, e quando alguém perguntava o motivo eu falava “não posso perder o estilo”.

Mas é tão louco, né? O quanto as coisas nos marcam, eu hoje enchi meus braços de tatuagens, e uma parte de mim sabe que o motivo disso foi pra quebrar essa vontade de escondê-los. E de ter vontade de mostrá-los, admira-los e verdadeiramente amá-los como eles devem ser amados.

Minha pele, minha cor, minhas manchinhas, são parte de todos nós, brasileiros, misturados, e isso não é motivo de vergonha.

É isso aí, obrigada por lerem até aqui, foi, verdadeiramente um delírio de uma terça-feira à noite, pré feriado, eu nunca encontrava lugares pra ter esse tipo de monólogos, mas agora tenho esse espaço aqui. E muito obrigada caso você queira se juntar a mim e conversar, vou adorar!

2 thoughts on “Delírios da Meia Noite

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