Insônia

É tão difícil conviver com a insônia

Aos 15 anos, eu fui diagnosticada com depressão, e foi ali que comecei a tomar remédios para dormir. De lá para cá, teve apenas UMA noite que eu dormi sem nenhum tipo de medicamento.

10 anos da minha vida, eu estou presa a remédios, precisando deles para dormir.

Não é sempre igual, as vezes é mais fácil, eu consigo dormir facilmente com doses menores. Outras vezes, eu tenho que tomar tantas pílulas para dormir, que eu não consigo acordar no dia seguinte.

É difícil, houveram períodos da minha vida onde eu estava completamente dormente por conta dos remédios. Eu não lembro de aulas, pessoas, eventos, nada.

Depois de 8 anos, eu finalmente consegui me livrar de um medicamento específico, mas fui direto para outro, sempre com indicação de médicos. Sempre pensando se um dia conseguirei deitar minha cabeça no travesseiro e dormir como um “ser humano” normal.

É difícil, viver com depressão, é isso que causa minha insônia. É tão difícil, solitário. Dói, eu não gosto!

Meu Cabelo

Se vocês me conhecem há bastante tempo, ou até mesmo se acabaram de chegar aqui, acho que perceberam que eu vivo mudando a cor do meu cabelo.

Todas as tem um pouco de significado por trás. E hoje eu vou tentar explicar um pouco do que se passa dentro dessa minha cabecinha.

Tenho que começar pegando lá atrás e explicar que enquanto eu crescia, eu AMAVA rosa, mas com o tempo passei a me forçar a não gostar, pelo simples fato de ser considerada uma cor feminina.

E eu fazia de tudo para me afastar dessa ideia de ser “menininha”. Eu detestava ouvir “menina não pode fazer isso”, “isso não é coisa de menina”, “se comporta”, “moça não fala assim”. Como boa questionadora, fazia de tudo para me rebelar contra esses estereótipos.

Em 2018, quando pintei meu cabelo de rosa, eu estava começando a enxergar o “ser mulher” como “ser poder”, mulheres são fortes, ser menininha não significava ser menor ou deixar de fazer algo que eu gostaria.

Quando eu pintei meu cabelo de azul, no começo de 2019, eu tinha acabado de passar por dois momentos que me fizeram voltar para aquele lugar de não gostar do feminino, e do ser mulher. Eu queria me afastar disso tudo, tanto que com o cabelo azul vieram as roupas pretas e largas.

Depois disso passei por algumas cores sem muito significado, sem muita intenção, nada ficava, eu sempre voltava para o azul.

Em 2020 fui para o vermelho, aquela era uma cor que me fazia sentir poderosa novamente, com o vermelho eu era segura, foi quando meu estilo mudou, comecei a me sentir melhor comigo mesma, a ter mais confiança.

Esse ano voltei para o azul, ele é confortável, fácil, mesmo que eu amasse o vermelho, eu comecei a achar que talvez chamasse muita atenção.

Agora, decidi ir para o verde, o verde é a minha esperança; esse ano já começou com dificuldades, e situações desconfortáveis, que requerem muita, muita esperança, e isso se espelha em mim, e no meu cabelo.

Como Eu Me Vejo

Eu não sou de conversar sobre essas coisas, mas acho válido dessa vez. Por anos e anos da minha vida eu sofri com a minha aparência. Eu sempre me achei gorda demais, as pernas grossas demais, a cintura muito larga, os ombros largos, os peitos grandes. Sempre me incomodou.

E na maior porte desse tempo em que eu não me aceitava, eu tinha apenas 15 anos, jogava handebol todos os dias, tinha um corpo lindo (que só 10 anos depois eu pude ver).

Agora, aos 25 anos perdi os 23kg que acumulei nos últimos 5 anos e, por mais que não tenha sido do jeito mais agradável que existe (tive que tirar a vesícula numa cirurgia de emergência), eu comecei a gostar mais do que eu via no espelho, comecei a me achar verdadeiramente bonita.

Até que vesti esse lookinho, tirei as fotos e as achei lindas. Me senti linda, tô toda tatuada do jeito que sempre quis, não me incomodo com minhas estrias. Pensei “Vou tacar um vingette e postar”. Minutos antes de postar: “nossa, olha a minha papada, credo, essas gordurinhas nas minhas costas, meu braço tá muito grande!”.

É muito difícil, galera, essa aceitação de nós mesmas é difícil, essa pressão que nos colocamos, sempre queremos mais, e mais. Nunca estamos satisfeitas. Mas temos que nos lembrar: nós somos LINDAS, nós somos ÚNICAS e nós somos EXTREMAMENTE ESPECIAIS do jeitinho de somos. Por favor, lembrem de se amar!

Sobre Estrias

Essa semana tirei fotos que eu normalmente não postaria por vergonha. As minha estrias sempre me incomodaram muito, o efeito sanfona sempre foi muito presente na minha vida então eu acabava emagrecendo e engordando muito rápido. E de uns anos pra cá essas estrias foram tomando conta da minha barriga, já fiz tratamentos EXTREMAMENTE doloridos pra tentar me livrar delas, mas decidi que não valem a dor que eu sentia, então era mais fácil eu tentar aceitar que elas estariam aqui. Então hoje eu sigo, nessa jornada, tento aceitá-las, tento amá-las, e as vezes até consigo!

Sobre Vestidos

Como prometido, aqui está a conversa sobre vestidos.

Eu nunca fui fã de usar vestidos, eu gostava de calças e shorts e bermudas. Ouvi muito “você tem que se arrumar mais, coloca uma saia”, “as pessoas comentam que você não se arruma”, “porque você não gosta de se arrumar igual suas irmãs?” (Sim, joguei vocês na roda sim).

E aí quando eu usava o tal do vestido a noite toda era “fecha a perna”, “sua calcinha tá aparecendo”, “você tá de saia, não faz isso”. Então sair de saia era um saco, não poder brincar com as outras crianças por estar de vestido e ter que ser “mocinha era um saco”.

Eu cheguei num ponto em que não conseguia mais usar vestidos, eu não queria me sentir presa ou obrigada a algo por conta de uma peça de roupa. Por um tempo eu decidi abandonar por completo a minha feminilidade e qualquer coisa que eu achava que se atrelava a ela.

Passei a odiar rosa, só usava camisas gigantescas que escondessem meu corpo, a única coisa que eu fazia por mim e que me fazia sentir bem era pintar o cabelo e fazer tatuagem.

Até que aos 45 minutos do segundo tempo, eu descobri que não é nada disso, você pode ser feminina e se vestir do jeito que bem entender. Você pode usar vestidos sem ser “mocinha”, o rosa é uma cor linda, nada disso de que é cor de menininha.

Vamos parar de colocar as coisas e as pessoas numa caixa de como viver e como se comportar, deixem as pessoas serem como querem ser, deixa o povo ser feliz. É isso.

Minha Arte

Desde que eu me conheço por gente, sempre tive dificuldade em decidir o que eu queria fazer “da vida”. Eu nunca fui de pensar no futuro, isso me assustava.

Quando me perguntavam sobre, eu falava algo que soasse legal de fazer, tipo quando eu resolvi ser diplomata, parecia uma coisa muito legal de ser.

Com o passar dos anos, eu percebi que amava as artes, eram aulas de dança, de sapateado, danças urbanas, funk e etc, me apaixonei pela capacidade de expressão.

Eu nunca me considerei boa em nada, especialmente não em desenhos. Quando descobri as resinas, percebi que a arte e a expressão eram muito mais do que o que eu imaginava.

Eu poderia criar algo do zero, poderia dar uma renovada em algo que já existia, e poderia colocar para fora todos os sentimentos que eu não sei expressar com palavras.

Por isso comecei a @moondecora e tenho amado cada segundo, me apaixono todo dia comigo mesma quando vejo uma peça que eu acho linda e não acredito que fui eu que fiz. Espero que no próximo ano eu possa dividir ainda mais esse meu lado com quem eu amo e com quem me ama!