Maquiagem

Quero começar esse post dizendo que não sou contra maquiagem, acho uma arte linda, as vezes tenho sim vontade de me maquiar, adoro experimentar cores e estilos. Eu usava maquiagem TODOS os dias, acordava 30 minutos mais cedo para me maquiar para ir para a escola. Se tivesse uma festa no fim de semana, perdia horas na frente do espelho, e como não enxergo muito bem sem óculos, eu me frustrava muito, tinha que tirar tudo e refazer várias vezes, chorava e tudo.

Quando meu potinho de corretivo da MAC tava acabando, era uma correria convencer meu pai a deixar gastar o dinheiro e ir no shopping comprar. Tinha bases para os meses de inverno e bases para o verão, quando estava mais bronzeada. Rímel, nossa, uma vez machuquei o olho por conta de um rímel empelotado. Quando me mudei para o Canada conheci os corretivos coloridos, tinha uma farmácia maravilhosa do lado da faculdade e eu passava lá todo dia pra ver as novidades.

Quando eu voltei pro Brasil, veio a frustração, as coisas foram acabando, não encontrava algumas marcas, as que tinha, eram muito caras, muita coisa tem ingredientes que me dão alergia, então eu tenho que testar, mas pra testar tem que comprar, e comprar era caro; Tinha dias que eu não saía de casa por preguiça de fazer maquiagem, e foi aí que eu percebi: eu tinha virado uma escrava daquilo.

Não estava fazendo por me sentir bem, estava fazendo por sentir que PRECISAVA. Tive namorados que questionavam “não vai passar uma base não?” E até amigas que ainda questionam. É como ser ser humano não fosse mais aceitável, como se ter “imperfeições” fosse o fim do mundo, e sinceramente? Não é! Espinhas? Todo mundo tem, até a Kendal Jenner já falou disso!

A minha questão aqui é não me deixar levar e não me sentir obrigada a me encaixar num padrão inalcançável e cansativo que nos é imposto todos os dias. Eu cansei de fazer aquele “no makeup makeup” que é a maquiagem natural que parece que você está sem maquiagem, e gente 🤔 mais fácil ficar sem maquiagem, né! Hoje eu não sou mais escrava da maquiagem, já cansei de ir em eventos, festas, e lugares de cara limpa, e muito orgulhosa de mim mesma. Mas também tenho dias em que quero passar alguma coisa, e tudo bem, contanto que seja por diversão, e não por OBRIGAÇÃO! Acho que pra mim, hoje, é a mesma coisa dos vestidos e dos saltos, eu não preciso deles, minha feminilidade não depende deles, mas quando eu quiser, eu uso, por mim! Você já tinha pensado nessas coisas? Se identifica com algo? Vê de forma diferente? Conversa comigo!

Meu Cabelo

Se vocês me conhecem há bastante tempo, ou até mesmo se acabaram de chegar aqui, acho que perceberam que eu vivo mudando a cor do meu cabelo.

Todas as tem um pouco de significado por trás. E hoje eu vou tentar explicar um pouco do que se passa dentro dessa minha cabecinha.

Tenho que começar pegando lá atrás e explicar que enquanto eu crescia, eu AMAVA rosa, mas com o tempo passei a me forçar a não gostar, pelo simples fato de ser considerada uma cor feminina.

E eu fazia de tudo para me afastar dessa ideia de ser “menininha”. Eu detestava ouvir “menina não pode fazer isso”, “isso não é coisa de menina”, “se comporta”, “moça não fala assim”. Como boa questionadora, fazia de tudo para me rebelar contra esses estereótipos.

Em 2018, quando pintei meu cabelo de rosa, eu estava começando a enxergar o “ser mulher” como “ser poder”, mulheres são fortes, ser menininha não significava ser menor ou deixar de fazer algo que eu gostaria.

Quando eu pintei meu cabelo de azul, no começo de 2019, eu tinha acabado de passar por dois momentos que me fizeram voltar para aquele lugar de não gostar do feminino, e do ser mulher. Eu queria me afastar disso tudo, tanto que com o cabelo azul vieram as roupas pretas e largas.

Depois disso passei por algumas cores sem muito significado, sem muita intenção, nada ficava, eu sempre voltava para o azul.

Em 2020 fui para o vermelho, aquela era uma cor que me fazia sentir poderosa novamente, com o vermelho eu era segura, foi quando meu estilo mudou, comecei a me sentir melhor comigo mesma, a ter mais confiança.

Esse ano voltei para o azul, ele é confortável, fácil, mesmo que eu amasse o vermelho, eu comecei a achar que talvez chamasse muita atenção.

Agora, decidi ir para o verde, o verde é a minha esperança; esse ano já começou com dificuldades, e situações desconfortáveis, que requerem muita, muita esperança, e isso se espelha em mim, e no meu cabelo.