Como Eu Me Vejo

Eu não sou de conversar sobre essas coisas, mas acho válido dessa vez. Por anos e anos da minha vida eu sofri com a minha aparência. Eu sempre me achei gorda demais, as pernas grossas demais, a cintura muito larga, os ombros largos, os peitos grandes. Sempre me incomodou.

E na maior porte desse tempo em que eu não me aceitava, eu tinha apenas 15 anos, jogava handebol todos os dias, tinha um corpo lindo (que só 10 anos depois eu pude ver).

Agora, aos 25 anos perdi os 23kg que acumulei nos últimos 5 anos e, por mais que não tenha sido do jeito mais agradável que existe (tive que tirar a vesícula numa cirurgia de emergência), eu comecei a gostar mais do que eu via no espelho, comecei a me achar verdadeiramente bonita.

Até que vesti esse lookinho, tirei as fotos e as achei lindas. Me senti linda, tô toda tatuada do jeito que sempre quis, não me incomodo com minhas estrias. Pensei “Vou tacar um vingette e postar”. Minutos antes de postar: “nossa, olha a minha papada, credo, essas gordurinhas nas minhas costas, meu braço tá muito grande!”.

É muito difícil, galera, essa aceitação de nós mesmas é difícil, essa pressão que nos colocamos, sempre queremos mais, e mais. Nunca estamos satisfeitas. Mas temos que nos lembrar: nós somos LINDAS, nós somos ÚNICAS e nós somos EXTREMAMENTE ESPECIAIS do jeitinho de somos. Por favor, lembrem de se amar!

Sobre Vestidos

Como prometido, aqui está a conversa sobre vestidos.

Eu nunca fui fã de usar vestidos, eu gostava de calças e shorts e bermudas. Ouvi muito “você tem que se arrumar mais, coloca uma saia”, “as pessoas comentam que você não se arruma”, “porque você não gosta de se arrumar igual suas irmãs?” (Sim, joguei vocês na roda sim).

E aí quando eu usava o tal do vestido a noite toda era “fecha a perna”, “sua calcinha tá aparecendo”, “você tá de saia, não faz isso”. Então sair de saia era um saco, não poder brincar com as outras crianças por estar de vestido e ter que ser “mocinha era um saco”.

Eu cheguei num ponto em que não conseguia mais usar vestidos, eu não queria me sentir presa ou obrigada a algo por conta de uma peça de roupa. Por um tempo eu decidi abandonar por completo a minha feminilidade e qualquer coisa que eu achava que se atrelava a ela.

Passei a odiar rosa, só usava camisas gigantescas que escondessem meu corpo, a única coisa que eu fazia por mim e que me fazia sentir bem era pintar o cabelo e fazer tatuagem.

Até que aos 45 minutos do segundo tempo, eu descobri que não é nada disso, você pode ser feminina e se vestir do jeito que bem entender. Você pode usar vestidos sem ser “mocinha”, o rosa é uma cor linda, nada disso de que é cor de menininha.

Vamos parar de colocar as coisas e as pessoas numa caixa de como viver e como se comportar, deixem as pessoas serem como querem ser, deixa o povo ser feliz. É isso.